De onde virá o estado energético, que nos faz vislumbrar o mundo de múltiplas cores, a beleza de uma forma mais expandida e serena, que nos canaliza bem-estar e felicidade? E se esse estado a que chamamos de Amor, tivesse génese em cada um de nós? Que consequências advêm desse “estado de graça” e da mobilização universal dessa energia, como que numa interface - alimentada e pulsada pela energia que nela colocamos?
Ao pensarmos em amor, facilmente caímos na teia de pensar num amor romântico, e ao fazê-lo, não será difícil perspectivar que o foco de encantamento, da origem de determinados sentimentos, provenha integralmente do outro, pelo qual estamos apaixonados. Nesta linha de pensamento, estamos a colocar no outro, todo o potencial para que esse sentimento surja, cresça e perdure, pelo que, a possibilidade de o perder, implica perder tudo isso – o que acarreta angústia, sentimentos de pose, ciúmes e dependência, limitando-se deste modo, a “vivência saudável do amor”.
Neste âmbito, e não pretendendo negar o potencial, qualidades e mérito do Outro que é amado, fará sentido pensar que a forma como conseguimos ver tudo isso, todo esse potencial, dependa da nossa disposição prévia para vislumbrar, inspirar, alimentar esse mesmo Belo, pelo qual nos vamos então apaixonar? Ou seja, não será o amor produzido por nós mesmos – não por automatismo, mas em resultado de um processo de maturação interna que permita a capacidade de contemplar o “belo” de forma mais fluída nas coisas, no Outro, no Universo?
Consequentemente, quando nos encontramos nesse estado energético de harmonia, êxtase, transcendência e bem-estar, tudo nos parece ainda mais belo, ainda mais perfeito, mais harmónico e também o melhor e mais brilhante do nosso ser brota de forma fértil. Sentimos a alma flutuar, sentimo-nos leves, belos, fluidos, confiantes, transcendentes e felizes. É como se o irradiar de Amor e Felicidade, direccionados ao outro e ao que nos rodeia, retornasse a nós mesmos, de forma ainda mais expandida!
Colocar a dádiva, a partilha, a pré disposição interna para contemplar o Outro como genésicos de Amor, bem-estar, harmonia e felicidade, é algo absolutamente poderoso; O amor e a felicidade não dependeriam dos outros, mas sim, de nós mesmos, do nosso estado de crescimento e plenitude internos, da nossa capacidade e motivação para olhar para o nosso interior, poli-lo e desenvolver então, a sabedoria da contemplação - do Belo, das coisas, Outro, da Natureza, da Vida. Se cada um de nós se pré dispusesse ao enriquecimento interno, e consequentemente, a procurar vislumbrar o mundo com umas lentes mais belas, a procurar a harmonia, o melhor das coisas e das pessoas, talvez conseguíssemos Amar mais plenamente, e ao colocar toda essa energia em interface, poderíamos potenciar a possibilidade de Felicidade e de co-criação de um Mundo e Existência mais elevados.
Mara Sarmento

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